jabai sharp

NA PRAIA LONGE DO MAR

A vida no interior é dura, o Verão é um calor que não se pode. Mas de molho está-se bem! Portanto fomos passar o fim-de-semana à praia fluvial do Alamal, com a sua bonita vista sobre o castelo de Belver. Começámos por dar uma volta no passadiço:

Depois fomo-nos esparramar na praia, de onde tentei mais uma vez reproduzir a belvista, desta vez pintada com lápis de cor. Mas depois decidi aguarelar e piorou:

De modo que decidi deixar-me de vistas e entreter-me a desenhar pessoas, agora com os lápis sem aguarelar:

Nisto, aparece um grupo e põe-se e dar um concerto em plena praia, fim-de-tarde adentro!

No dia seguinte ainda fomos fazer visita cultural pelas redondezas:

Mas o calor era tal que já nem energia havia para pintar. De maneiras que decidimos ir enfiar-nos de molho noutra praia, já no caminho de regresso:

E assim se despediu Agosto e entrou Setembro!

jabai sharp

E AGORA PARA ALGO COMPLETAMENTE DIFERENTE

A Lira costuma vir estagiar cá para casa quando está no cio, para não arranjar enredos com o cão lá de casa dela. Como é, digamos, um bocado volumosa e custosa de convencer a caminhar, nós aproveitamos estes estágios para a passear todas as vezes que podemos (e que ela se deixa arrancar dos braços de Morfeu):

[tenho que aproveitar para desenhar cães quando eles são assim dorminhocos, que é a única maneira de ficarem quietos o tempo suficiente]

Ora inspirada nestes eventos, mais na recente interpretação magistral do Cio da Terra pelas Vozes do Imaginário, aqui capturada num excerto do vídeo da nossa repórter ocasional / fã à força Vera Pessoa:

…resolvi fazer uma letra alternativa para esta bonita canção:

Cio da Lira

Passear a Lira
Recolher cada cocó da Lira
Forjar na Lira o milagre do cão
E se fartar de cão

Afagar a Lira
Conhecer os desejos da Lira
Cio da Lira a propícia estação
De passear o cãããão

Espero que o Chico Buarque e o Milton Nascimento não se chateiem… Mas o que realmente temo é distrair-me e começar a cantar esta versão no próximo concerto das Vozes do Imaginário!

jabai sharp

MUDEI DE RAMO POR UM DIA (e meio)

Recebi um inesperado convite para participar como “sketcher em trânsito” num seminário internacional sobre mobilidade, representando a interface entre o desenho e a investigação científica. Bem lhes disse que não percebia nada daquilo, mas acabei por me deixar convencer… e não me arrependi!

Lá andei a desenhar mobilidades e obstáculos ao redor do encontro, e acabámos por perceber como o desenho de observação pode ser uma ferramenta valiosa em ciências sociais, porque permite o registo visual sem infringir direitos de imagem – pelo menos nos meus desenhos, onde ninguém fica reconhecível! Nem os carros!

Por exemplo, esta senhora das malas grandes também foi capturada em vídeo por outros participantes; só que, enquanto o desenho se pode publicar sem problemas, para publicar o vídeo teriam que encontrar a senhora (que ia com pressa) e obter a sua autorização, mais a das restantes pessoas apanhadas; ou então difuminar as caras e ficavam a parecer todos uns fantasmas. Os sketches dão-nos liberdade, artística e não só!

Quem havia de dizer que eu um dia ia encontrar uma utilidade para isto... Ainda acabo a trabalhar como sketcher para os sociólogos!

jabai sharp

O MELHOR ENCONTRO SKETCHER DE SEMPRE!

…porque reuniu, num só evento, três das minhas coisas favoritas de todos os tempos: desenhos, memórias tradicionais, e bonecos de Santo Aleixo! Como, para grande desespero meu, não sabia se ia lá estar no próprio dia, comecei logo a desenhar bonecos (os originais!) na reunião preparatória:

NOTA: as cores originais podem ter mudado inadvertidamente (parece que a cobra afinal era preta)

Felizmente, no dia do encontro pude continuar a desenhar! Comecei por retratar o nosso anfitrião a dar-nos as boas-vindas e a enquadrar o evento:

[para quem não o reconhece neste desenho, é porque o fiz parecer mais novo]

Depois ainda fui lá acima tentar desenhar a “sala das máquinas”, mas entre o grau de enredadura das cordas e a alergia aos ácaros que lá andavam, fiz um desenho à pressa que nem se percebe bem o que é:

Depois, passei o resto do dia a desenhar personagens avulsos:

[era para desenhar o boneco inteiro, mas calculei mal e não me couberam as pernas]
[aqui tentei calcular melhor mas fui muito ambiciosa, eram dois bonecos num, e quem ficou sem pernas foi o cavalo]
[finalmente um boneco que coube inteiro, até ainda fui pintar a sombra e tudo -- depois arrependi-me mas já era tarde]
[esta também tive que perguntar quem era, eu com roupa não a conheci]
[este era um dos mais avançados tecnologicamente, fiquei meia hora a fazê-lo falar com as barbas a abanar]
[...e foi assim que descobri que Deus não tem braços]

Enfim, eram tantos que eu nem sabia para onde me virar, ainda ficaram a faltar muitos… por mim, ficava lá uma semana! Para o ano quero lá o encontro outra vez.

jabai sharp

SALAMANDRA, SALAMANCA

Fui a Salamanca a um congresso de anfíbios e répteis, mas quase só consegui desenhar enquanto estava a comer outras espécies:

Entretanto, sempre consegui sentar-me também diante da emblemática Casa das Conchas, enquanto esperava por uma procissão que ia passar (havia festa):

Depois, na saída de campo a La Alberca, ainda desenhei também um par de casas da Plaza Mayor — com muita aldrabice, e nem o nome da praça tenho a certeza de que esteja certo...

[Se houvesse um passatempo de descobrir as diferenças entre este desenho e as casas originais, era uma tarde inteira só a listá-las]

...mas logo depois pimba, mais comida. É mais seguro: como entretanto já a comi, ninguém pode lá ir comprovar se o desenho está fiel ou não!

[Os mexilhões parecem batatas com casca, acho que é o meu record de desenho de comida que mais engana. Não tenho culpa se os espanhóis cozinham assim!]


jabai sharp

MAIS BALE TARDE QUE NUNCA

Já foi há tempos, mas houve um simpósio mundial de urban sketchers no meu querido e saudoso Porto a que eu não podia faltar! Meti mini-férias e rumei por aí acima para desenhar as ruas, praças e iguarias com que me deliciei durante 5 anos de residência na cidade dos tripeiros. Na Ribeira e até mesmo na Sé, agora pode-se passear sossegadamente sem levar uma única facada! Como mudam os tempos....

o gato ficou a levitar e quase do tamanho do guarda-sol... não sou eu que não sei desenhar, os gatos do Porto é que são assim!
os Clérigos em equilíbrio periclitante por trás do bairro da Sé... o pano do FCP é só para ser fiel no retrato, eu sou do Braga!!!
nunca tinha ouvido isto tocado num banjo americano!

A experiência gastronómica revivalista também não desiludiu! Não desenhei a francesinha porque fui desconcentrada pelos eléctricos a percorrer o passeio, mas desenhei as tripas (agora em estrangeiro!) e o pastel de Chaves! Mmmmmmm!...

desenha-se pior quando se está cheio de fome
o arroz ficou azul... o original era branquinho, aqui é que ficou mais portista
no Guedes já não se pode comer nada sem filas de uma hora (rais parta o Markl!), mas aqui pude reviver os meus almoços baratos de outrora

No fim, desenhei uma pequenina parte da enorme multidão que também por lá andou a desenhar a naçom! Bibó Puorto, carago!


jabai sharp

OS POPÓS DA IGREJINHA

Depois de serpentear pela Igrejinha à procura to famoso encontro de Renaults 4L que tínhamos para desenhar, lá encontrámos um mòlhinho delas perto da igreja — as poucas que tinham chegado ao fim do passeio sem avariar (não  sei se isto era para dizer aqui):

De qualquer forma, o importante era captar o Tomé, que foi a verdadeira estrela da tarde (e nem mordeu em ninguém!); e também a festa da Nossa Senhora da Consolação, que espreitava ao virar da esquina e soava nos altifalantes — estes passaram abruptamente do "pica do 7" para o "popó da namorada", mas pronto, faz parte.

Ainda fiz por desenhar alguns dos nossos popós desde ângulos mais favoráveis, a ver se nalgum se conseguia ao menos reconher a marca e o modelo, mas fui indo de mal a pior:

Felizmente, não tardou a hora de irmos cantar os parabéns aos encontros de 4L, comer o correspondente bolo e beber os correspondentes licores:

No fim, ainda demos um saltinho à festa da Nossa Senhora para comer os petiscos da praxe e desenhar as vistas:

Não foi bem um "slow eatinerary", mas andou perto!

jabai sharp

BADAJOZ À VISTA! (PRA QUÊ?)

Este fim-de-semana tivemos uma mini-série de workshops de desenho em Elvas! Só no sábado foram dois. O da manhã foi no Museu Militar. Tantas coisas desenháveis para tão pouco tempo!




De tarde foi no Forte de Santa Luzia - que também tinha muito que desenhar, mas eu parecia estar com uma fixação nos manequins:





No workshop de domingo, no atelier do oleiro Luís Pedras, o primeiro exercício era desenhar diferentes objectos de forma a contar uma história. Ora entre isto e a conversa prévia sobre o festival de banda desenhada em Beja, a história saiu-me com balões:



O segundo exercício era desenhar o processo de feitura de uma ronca de Elvas. Visto que estava lançada, continuei em modo urban BD, ou banda desenhada de observação. Mas esforcei-me tanto por manter a coerência visual do personagem, para se perceber que era sempre a mesma pessoa nos diferentes quadradinhos (com ajuda da camisola às riscas), que me esqueci da coerência da ronca, que emagrece e muda de forma forma de vinheta para vinheta. Paciência...




E assim terminou mais um fim-de-semana em beleza! Ainda houve também umas comezainas e tal, mas não cabem aqui os desenhos todos ;)